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O hino rio-grandense é racista?

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podcast Gauchismo Líquido ep. 1 mulheres do Rio Grande do Sul

O primeiro episódio da série 'mulheres do Rio Grande do Sul' traz algumas reflexões sobre o tema de gênero e cultura no estado, pensando sobre o ideal feminino construído ao longo dos séculos e suas problematizações pelos movimentos feministas a partir da segunda metade do século XX .  Esse episódio inagura a série que contempla o conhecimento das mulheres, abrindo para os próximos episódios onde traremos convidadas para discutir uma expressão, a poesia, a pesquisa e a criação.  Disponível em Spotify/gauchismoliquido e Youtube/ClarissaFerreira Gauchismo Líquido é criado por Clarissa Ferreira @violinovioleta.  Gravado em @estudiomochila.  Projeto viabilizado pelo FAC Digital RS  

Oficina de Musas Xucras no primeiro festival para mulheres da música regional

Essa semana acontece o 1º Peitaço da Composição Regional, um festival só para mulheres que possuem relação com a cultura gaúcha através de contato ou atuação artística/ musical. Produzido pela cantora e jornalista Shana Muller, o festival parte de um questionamento trazido nos últimos tempos por mulheres da cena regional: a representação, o eu-lírico e o local de fala nas composições com temáticas regionalistas que narram ou interpretam a mulher gaúcha. Como venho abordando e observando desde 2014, as representações da mulher gaúcha em músicas, compostas em sua avassaladora maioria por homens, constroem narrativas que muitas vezes objetificam e estereotificam, chegando em alguns casos a aludir violência (tema abordado em: http://gauchismoliquido.blogspot.com/2014/11/nem-chinoca-nem-flor-nem-morocha-sobre.html ) . O protagonismo nas canções regionalistas tradicionais era/ é submetido aos homens, em abordagens sobre as lidas campeiras compreendidas como masculinas, sobres suas

Parando para entender sobre o DRT de artista e o registro na Ordem dos Músicos

Colagem: Clarissa Ferreira Clarissa Ferreira (violinista/ etnomusicóloga) Na última semana algumas notícias dos meios de comunicação, e muitos compartilhamentos nas redes sociais, atentaram para a votação que está agendada para o fim do mês e que decidirá pelo fim, ou não, da obrigatoriedade do registro profissional de artista e de músico. Eu fui uma das pessoas que se assustou com a notícia, muito pelo contexto nada propício para os profissionais da arte e da música no momento atual no país. Soou como afronta à classe, uma explícita não valorização de quem faz da arte sua subsistência. Depois de postar um breve manifesto e ter rapidamente compartilhamentos que demonstravam afoitos pedidos de explicações, fiquei pensando sobre o significado desse registro e o que implicava a extinção de sua obrigatoriedade. Fui pesquisar e encontrei poucos esclarecimentos totais, tive que juntar algumas pecinhas de links em links. Em conversas com pessoas ao redor vi também a aus

Reflexões sobre trabalhar com música hoje

Colagem: Clarissa Ferreira A música é uma forma de dizer o que pensamos sem nos acharem loucos ou lunáticos. Ouvi essa mensagem, ensinamento ou simples constatação, que represento aqui de forma não literal, do músico Pirisca Grecco ao terminar a entrevista que tive a oportunidade de realizar com ele na última terça feira à tarde. O gravador já estava desligado neste momento, o que faz ter perdido sua composição com as palavras, o seu sotaque ao dizê-las para aqui poder descrever, mas a mensagem chegou e ressoou muito por esses lados.  Tenho pensado na função do artista, mais especificadamente do músico hoje em nossa sociedade. Além de ser uma reflexão presente e que tem se tornado mais consciente agora, devido ao fato de atuar profissionalmente desde a adolescência, recebendo os primeiros cachês ainda menor de idade, o tempo, a crise e o conhecimento nos colocam mais perto do significado do que realmente fazemos, e do que ensejamos com tal função. Consegui conver

Um F5 no gauchismo: O que você precisa saber sobre a cultura gaúcha antes de comemorar a Revolução Farroupilha

Os envolvimentos de setembro em alusão à Semana Farroupilha inquietam quem já teve a oportunidade de pegar um livro que seja sobre a cultura gaúcha e lê-lo com uma dose ao menos de olhar questionador. Até mesmo os escritos pelos folcloristas Paixão Cortes e Barbosa Lessa deixam claro como a identidade do Rio Grande do Sul foi uma construção, o que fica explícito em seus pontos de vista, seus locais de fala e suas intenções explicitamente declaradas, como por exemplo, a citação sobre as danças tradicionais gaúchas, hoje tão cultuadas nos CTG’s, encontrada na página 12 do livro “Danças e Andanças da Tradição Gaúcha” (1985): “[...] há mais de um quarto de século, ressurgiram como danças tradicionais – ou “projeções folclóricas” – entre jovens pré-universitários de Porto Alegre e que talvez voltem a ser folclóricas, algum dia, quando a massa popular interpretá-las com a mesma espontaneidade e atualidade com que fala ou trabalha, sem a autoconsciência de estar cultuando artisticament